Como seu título sugere, Pocket Monsters, ou melhor, Pokémon, surgiu justamente pelo afeto que seu criador (Satoshi Tajiri) tinha em capturar moscas e outros insetos no quintal da sua casa com o objetivo de colocá-los para “brigar” com outros insetos que encontrava.
Fato. Eu fazia isso. Não tinha nada mais legal do que capturar moscas de banheiro em potes de Kinder Ovo – só me faltava a brilhante ideia de colocá-las para enfrentar outras moscas pela casa.
Mas voltemos ao Pokémon dos games. Como jogador hardcore de Pokémon que posso me considerar, confesso achar um tanto curioso como a série consegue angariar cada vez mais novos jogadores (crianças na maioria dos casos) ao mesmo tempo que se preocupa a cada nova edição em trazer novidades consistentes para os jogadores que, como eu, acompanham a série desde o primeiro game. Porém, todas as novidades dizem respeito apenas àqueles jogadores que buscam mais recursos para cada vez treinar mais Pokémon ou participar de novos tipos de campeonato em sua cidade. Eu sempre pensei assim.
Mas e quem não quer isso?
Por exemplo, imagine se o game lhe desse a opção de se tornar um líder de um ginásio Pokémon ou, porque não, a chance de ser um criador Pokémon?
Pokémon Black & White já deveria ser assim. Estou jogando-o desde a semana passada (o game foi lançado no último dia 6). Adorei o jogo. São mais 156 Pokémon, facilidades para acessar as partidas multiplayer (local ou online), uma infinidade de recursos e modos para serem acessados. Sem falar na história – mais complexa e menos repetitiva.
Mas sabe quando tudo parece inocente demais? Não sei se é porque eu estou ficando velho e pouco me interessa saber a história de um novo menino de 11 anos órfão de pai que tenta chegar a Elite dos 4 após faturar oito insígnias de mestres treinadores em cidades de um novo continente. Também tenho certeza que não é pela repetição de ideias do tipo “escolha seu Pokémon inicial entre os tipos fogo, água e planta” ou “caramba, todo Pokémon Center possui uma enfermeira Joy”.
Falo isso pela falta de opções no que diz respeito ao papel do protagonista no jogo. Mesmo porque, se você é jogador das antigas vai concordar comigo. Ser o treinador Pokémon em busca da fama global já deu o que tinha que dar. Se nem o Ash, protagonista do desenho animado, ainda conseguiu se tornar o melhor treinador da história (isso porque ele está na labuta desde os primórdios da série), por que a cada novo jogo principal da franquia somos obrigados a nos tornar o melhor dos treinadores? Ainda mais no meu caso que só jogo Pokémon pensando no esporte que o game é nos elementos de combate e possibilidades multiplayer.
No game, seus monstrinhos não possuem só status específicos que evoluem e level máximo padrão. Estes status evoluem com base em diversos fatores como tipo de inimigo que enfrentam, tipo de treinamento que recebem e, até mesmo, afinidade que possuem com seu dono. Cruzar Pokémon não é igual cruzar Chocobos em Final Fantasy VII (que no final todos só querem o Chocobo dourado). Falo de selecionar os melhores de cada espécie a fim de obter filhotes cada vez mais poderosos. Únicos.
Eu sei. É difícil explicar o quão complexo Pokémon é. Mas tenho certeza que é justamente este nível de profundidade que chama a atenção dos veteranos e os distancia dos novatos. Mas, tudo tem sua vida útil. Eu estou ficando velho, tenho muitos games pra jogar, não tenho mais tempo para ficar treinando 200 novos Pokémon. Porém gosto da série. Acho genial a grandiosidade de tudo. Só gostaria de ser outro tipo de protagonista (e nem me venham falar de Pokémon Snap).
Custo a acreditar que Pokémon deixe de existir algum dia (é a franquia que mais vendeu na história dos games se incluirmos todos os jogos juntos). Mas confesso ter a convicção de que cada vez mais jogadores se sentirão cansados de serem “o Ash da nova história”. Quem sabe em um próximo jogo a GameFreak/Nintendo adicione a opção “Skip Story Mode” já que esse tipo de mecânica parece ser irretocável.
Enquanto isso eu fico aqui, treinando novos monstrinhos até chegar ao final do jogo e ver o mesmo tipo de desfecho até finalmente ter a liberdade que eu tanto espero para jogar o game da minha forma. No meu ritmo. Com todas as opções que um jogador das antigas espera. Ainda que eu adoraria ser, simplesmente, alguém diferente.
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